Um líder religioso de 63 anos, que atua como pai de santo em um centro de umbanda em Campo Grande, foi preso na manhã desta quarta-feira (11) pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). Ele é investigado por estupro de vulnerável contra mulheres que frequentavam o local para participar de rituais. De acordo com a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, o suspeito utilizava a fé das vítimas como instrumento para os abusos, alegando estar incorporado por entidades espirituais durante os atendimentos.
A investigação teve início em novembro de 2025, após uma das vítimas procurar a delegacia para relatar os abusos sofridos quando tinha 12 anos de idade. Em seu depoimento, a jovem detalhou que o religioso convencia as meninas de que os atos sexuais faziam parte dos "trabalhos espirituais" e eram necessários para a evolução espiritual delas. A DEPCA informou que há outras duas investigações em andamento com relatos semelhantes de vítimas diferentes, indicando um possível padrão de conduta criminosa.
Durante o cumprimento do mandado de prisão preventiva no centro espiritual, os agentes encontraram uma espingarda sem qualquer documentação legal. O armamento estava no local onde o pai de santo realizava os atendimentos, o que resultou na autuação em flagrante do investigado também por posse ilegal de arma de fogo. A prisão foi representada pela autoridade policial e decretada pela Justiça com o objetivo de proteger as vítimas e interromper a reiteração criminosa.
Em interrogatório na sede da DEPCA, o suspeito apresentou uma versão peculiar para justificar os crimes. Ele afirmou que, durante os rituais em que recebia as entidades, sua "consciência era totalmente apagada" e que, portanto, não teria conhecimento ou controle sobre os atos praticados nesse estado. A Polícia Civil, no entanto, já informou que confrontará essa tese de "consciência apagada" com as demais provas colhidas no inquérito, incluindo depoimentos e eventuais perícias.
O crime cometido pelo líder religioso foi enquadrado no artigo 217-A do Código Penal (estupro de vulnerável), com a agravante prevista no artigo 226, inciso II, que aumenta a pena em razão de o agente exercer autoridade sobre a vítima — neste caso, a influência espiritual como pai de santo. A polícia reforça que o abuso de poder decorrente da posição de líder religioso torna o crime ainda mais grave, pois fragiliza a defesa das vítimas e dificulta a denúncia.
Após passar por exames periciais e prestar depoimento, o investigado foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça. As vítimas já estão sob acompanhamento e recebem medidas de proteção para garantir sua integridade física e psicológica. Em nota, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul reafirmou o compromisso no enfrentamento a qualquer forma de violência sexual, independentemente do contexto religioso ou cultural em que ela ocorra, e destacou a importância da denúncia para a interrupção de novos abusos.
Fonte: Redação Raiz, com informações de PCMS | Foto: PCMS/Divulgação
Siga em nossas redes sociais
Instagram Facebook X (Twitter) Telegram Canal no WhatsApp
Youtube TikTok Kwai Fale Conosco
Comentários: