A Marinha do Brasil inicia nesta semana a implantação de sinalização náutica no trecho exclusivamente paraguaio da Hidrovia Paraguai-Paraná, ação inédita que visa garantir a navegabilidade segura em mais de 300 quilômetros. A iniciativa faz parte da Comissão “Balizope 2025”, conduzida pelo Centro de Hidrografia e Navegação do Oeste (CHN-6). Duas lanchas balizadoras de águas interiores, a Lufada e a Piracema, partiram de Ladário (MS) em 2 de outubro para realizar os trabalhos de balizamento no rio Paraguai no território do Paraguai.
O plano prevê instalar aproximadamente 50 sinais náuticos entre meados de outubro até a primeira semana de novembro, no trecho que vai da foz do rio Apa até a foz do rio Pilcomayo, entre as cidades de Concepción e Assunção. Até então, essa área carecia completamente de balizamento, o que apresentava riscos para embarcações em função das variações sazonais do nível do rio e dos obstáculos naturais.
O projeto decorre de um acordo bilateral entre Brasil e Paraguai, firmado durante a XIII Reunião de Estados-Maiores entre a Marinha do Brasil (MB) e a Armada Paraguaia (ARPAR). Além da sinalização, o convênio já resultou na entrega, em setembro de 2024, de 34 cartas náuticas que cobrem 542 quilômetros do trecho entre a foz do rio Apa e Assunção. Estas providências respondem a pedidos paraguaios para garantir maior segurança e confiabilidade para a navegação fluvial.
Do ponto de vista brasileiro, há ganhos estratégicos significativos. A Hidrovia Paraguai-Paraná é rota vital de escoamento comercial ligando o interior da América do Sul ao Oceano Atlântico. Toda benfeitoria implementada na região acaba beneficiando também a Bolívia, o Paraguai e a Argentina. Um balizamento eficaz reduz acidentes, facilita o transporte de cargas, assegura previsibilidade de logística, e diminui custos operacionais, o que pode favorecer exportações brasileiras.
De acordo com a Marinha do Brasil, a cooperação técnico-naval fortalece não só a integração regional, mas também o protagonismo do Brasil nas questões de gestão de recursos hídricos e infraestrutura fluvial. O uso de sondagens atualizadas, balizamento confiável e cartas náuticas modernas são elementos essenciais para salvaguardar vidas, evitar desastres e estimular o desenvolvimento sustentável nas áreas afetadas pela hidrovia.
Fonte: Redação Raiz, com informações da Agência Marinha | Foto: Agência Marinha