O Rio da Prata, localizado no município de Jardim, a aproximadamente 240 quilômetros de Campo Grande, enfrenta uma grave crise hídrica que compromete a sobrevivência de diversas espécies aquáticas. Um trecho de cerca de 7 quilômetros do leito do rio encontra-se quase ou totalmente seco, situação que se agravou rapidamente desde o início de setembro, quando a área afetada era de apenas 3 quilômetros.
A escassez de água tem causado a morte de peixes e outros animais aquáticos, levando organizações ambientais a intervir. No dia 19 de setembro, uma operação de resgate coordenada pela ONG Guarda Mirim Ambiental de Jardim, com apoio da Polícia Militar Ambiental, do grupo empresarial Rio da Prata e da Fazenda Vale do Prata, resultou na transferência de 148 peixes para áreas com profundidade suficiente para garantir sua sobrevivência. Entre os espécimes resgatados estavam piraputangas, curimbas, lambaris, joaninhas, canivetes, pacus-péva e traíras.
O diretor da Guarda Mirim Ambiental, Nisroque da Silva Soares, informou que novas espécies foram identificadas em porções de água remanescentes em trechos praticamente secos. O monitoramento da fauna aquática continua, e uma nova operação de resgate está sendo planejada para os próximos dias, visando salvar mais peixes que correm risco de morte por asfixia.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga as causas da seca no Rio da Prata desde julho de 2024. Um inquérito civil foi instaurado e prorrogado por mais um ano para apurar possíveis fatores que contribuem para a diminuição do fluxo hídrico. Relatórios da Polícia Militar Ambiental sugerem que a estiagem prolongada e a construção de drenos nas cabeceiras do rio possam estar entre as causas do problema.
As autoridades ambientais reforçam a importância de ações urgentes para preservar a fauna aquática e restaurar o equilíbrio ecológico da região.