As autoridades de segurança pública em Mato Grosso do Sul intensificaram nos últimos meses o combate ao transporte irregular de medicamentos popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, que têm circulado clandestinamente nas fronteiras com o Paraguai. Segundo dados oficiais, desde 2025 mais de 3 mil caixas desses produtos foram apreendidas nas rodovias estaduais, cada uma com cerca de quatro unidades, e, somente na primeira quinzena de 2026, 189 caixas foram retiradas de circulação em ações do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv), caracterizando uma modalidade crescente de contrabando e descaminho na região de fronteira.
As apreensões acontecem principalmente em fiscalizações realizadas nas rotas que ligam pontos de fronteira ao interior do Brasil. As mercadorias, em grande parte originárias do Paraguai e sem autorização de importação pelos órgãos reguladores brasileiros, são, em muitos casos, encontradas ocultas em compartimentos de veículos com outros itens ilícitos, como eletrônicos e cigarros, numa tentativa de driblar a fiscalização. Conforme as autoridades, a entrada desses produtos configura crime de contrabando, passível de autuação e encaminhamento à Polícia Federal e Receita Federal para os procedimentos legais cabíveis.
O aumento desse tipo de transporte irregular já vinha gerando preocupação entre profissionais de saúde e autoridades sanitárias antes mesmo das apreensões mais recentes. Especialistas alertam que a popularização e o uso sem prescrição médica de medicamentos à base de agonistas de GLP-1, substâncias que atuam no controle do peso e no tratamento de distúrbios metabólicos, podem resultar em efeitos adversos graves, sobretudo quando a procedência e composição desses produtos não são garantidas por registros sanitários válidos.
Esse cenário de risco foi tragicamente ilustrado por um caso recente em Minas Gerais, no qual uma mulher de 42 anos foi internada em estado grave após utilizar uma caneta emagrecedora adquirida de forma irregular no Paraguai e sem orientação médica. O uso da substância, segundo familiares e informações médicas, evoluiu para a síndrome de Guillain-Barré, uma condição neurológica rara e grave em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, causando fraqueza muscular e comprometimento de funções vitais.
O caso reforça os alertas tanto de autoridades de segurança quanto de órgãos de saúde quanto ao perigo representado pelo acesso e uso de medicamentos sem registro e sem supervisão profissional. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vem proibindo a importação, distribuição e uso de diversas canetas emagrecedoras sem registro no Brasil, destacando que esses produtos não possuem garantia de qualidade, eficácia ou segurança, o que torna essencial que qualquer tratamento medicamentoso seja conduzido com prescrição adequada e dentro das normas sanitárias vigentes.
Fonte: Redação Raiz, com informações de G1 e Agência MS de Notícias | Foto de capa: DOF/Divulgação
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