O Governo de Mato Grosso do Sul anunciou, nesta terça-feira, a realização da primeira cirurgia cerebral pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento da doença de Parkinson no Estado. O procedimento inédito ocorreu em março, no Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas (HR3L), e marca um avanço significativo na oferta de tratamentos de alta complexidade na rede pública estadual.
A intervenção consistiu na técnica de estimulação cerebral profunda, que envolve o implante de eletrodos em regiões específicas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos. O procedimento é indicado para casos mais avançados da doença e pode reduzir em até 80% a necessidade de medicamentos utilizados no tratamento, além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
O primeiro paciente a passar pela cirurgia foi o servidor público aposentado Gilberto Barbieri, de 58 anos, morador de Nova Andradina, que convive com o Parkinson há cerca de 15 anos. A doença, de caráter neurológico, crônico e progressivo, compromete os movimentos e causa sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão motora, afetando significativamente a rotina dos pacientes.
De acordo com a equipe médica, o procedimento exige precisão e acompanhamento em tempo real. Durante a cirurgia, o paciente permanece acordado para que os profissionais possam avaliar as respostas motoras e identificar o ponto ideal de estimulação no cérebro, geralmente localizado no núcleo subtalâmico. Após o implante, os eletrodos são conectados a um dispositivo semelhante a um marca-passo, instalado na região do peito, responsável por enviar impulsos elétricos que regulam a atividade cerebral.
Nem todos os pacientes com Parkinson são elegíveis para esse tipo de intervenção. Segundo especialistas, a cirurgia é indicada para pessoas que já passaram por diferentes tratamentos medicamentosos por, no mínimo, cinco anos e que apresentam controle insuficiente dos sintomas com o uso de remédios. Nesses casos, a técnica surge como alternativa terapêutica eficaz.
Após o procedimento, o paciente permaneceu internado por alguns dias para recuperação e acompanhamento médico, incluindo passagem pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O tratamento, no entanto, não se encerra com a cirurgia: nas semanas seguintes, são realizados ajustes no dispositivo implantado para adequar a estimulação às necessidades específicas de cada paciente.
Para a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a realização da cirurgia representa um marco para o sistema público de saúde em Mato Grosso do Sul. A iniciativa evidencia o fortalecimento da capacidade técnica do hospital e amplia o acesso da população a procedimentos inovadores e de alta complexidade, consolidando a unidade como referência regional em assistência especializada.
Com informações de Comunicação SES | Fotos: HR3L/Divulgação
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