A greve dos motoristas do transporte coletivo em Campo Grande, iniciada na última segunda-feira (15), tem provocado transtornos significativos na rotina da capital sul-matogrossense e mobilizado atenção política e social. O movimento foi deflagrado pelos motoristas do Consórcio Guaicurus em protesto contra atrasos no pagamento de salários, adiantamento e parcela do 13º salário, deixando terminais praticamente vazios e impedindo que milhares de usuários tenham acesso ao transporte público. A paralisação, que impacta diretamente mais de 100 mil usuários dependentes do serviço, gerou reação do poder Judiciário, que determinou a manutenção mínima de 70% da frota sob pena de multa, e críticas da Câmara Municipal pela falta de articulação para resolução da crise.
Em meio ao contexto de tensão vivenciado por usuários e trabalhadores do transporte, outra categoria que presta serviços essenciais à populaçãp também ameaça converter as insatisfações em paralização: os dentistas que atuam na rede municipal de saúde de Campo Grande. Em assembleia, os profissionais decidiram iniciar greve a partir desta quarta-feira (17), em razão de defasagem salarial, descumprimento de direitos trabalhistas e, sobretudo, falta de insumos básicos e equipamentos essenciais em unidades de atendimento odontológico. Apesar da paralisação, mais da metade dos serviços de urgência e emergência odontológica deverá ser mantida.
As reclamações dos profissionais de saúde vão além das demandas da odontologia. Instituições públicas de saúde na cidade e no estado têm registrado relatos de falta de medicamentos, insumos e problemas de desabastecimento que comprometem a qualidade dos atendimentos. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul já instaurou, em março deste ano, um inquérito civil para apurar desabastecimento e paralisações de serviços no Hospital Santa Casa, investigando a falta de remédios e insumos, a paralisação de atendimentos ambulatoriais e cirurgias eletivas, bem como questões de gestão e repasse de recursos.
A paralisação, que foi aprovada em assembleia da categoria por unanimidade, vem na esteira de muita insatisfação dos profissionais, que afirmam estar atuando em condições inadequadas de trabalho. Segundo o sindicato, decisões judiciais que vão no sentido de melhorar as condições também já foram descumpridas pela prefeitura. Até as 18:00 desta terça-feira (16), a greve estava mantida.
Fonte: Redação Raiz, com informações de MPMS e Capital News | Foto: SIOMS