O Bioparque Pantanal anunciou, nesta quinta-feira (16), que realizou o resgate de peixes afetados pelo fenômeno da decoada em regiões do Pantanal sul-mato-grossense, em uma ação que alia conservação ambiental e produção científica. A operação ocorreu durante uma expedição no Rio Miranda, na região do Passo do Lontra, e mobilizou uma equipe multidisciplinar formada por biólogos, veterinários e zootecnistas, garantindo o transporte seguro dos animais resgatados.
A decoada é um fenômeno natural típico do Pantanal, caracterizado pela queda acentuada do nível de oxigênio na água, o que compromete diretamente a sobrevivência da fauna aquática. O processo ocorre quando a água invade áreas com matéria orgânica em decomposição, intensificando a atividade bacteriana e consumindo o oxigênio dissolvido, o que pode provocar mortandade significativa de peixes.
Diante desse cenário, a equipe do Bioparque priorizou o resgate de indivíduos ainda vivos, porém debilitados. Ao chegarem à estrutura em Campo Grande, os peixes passaram por um rigoroso protocolo de quarentena, além de acompanhamento clínico e nutricional contínuo, visando à recuperação e adaptação dos animais.
Entre os exemplares resgatados estão espécies como cascudos (Loricaria spp. e Pseudohemiodon spp.) e bagres (Amaralia spp.), consideradas mais vulneráveis às alterações ambientais provocadas pela decoada. Ao todo, cerca de 60 peixes foram recolhidos durante a expedição, reforçando a importância da ação em meio aos impactos recorrentes do fenômeno no bioma pantaneiro.
Além do resgate, a iniciativa integra um projeto de pesquisa científica voltado à compreensão dos efeitos da decoada sobre a ictiofauna do Pantanal. O monitoramento dos animais permite analisar padrões de sobrevivência e respostas ao estresse ambiental, gerando dados relevantes que podem subsidiar estratégias de conservação e manejo da biodiversidade aquática.
Segundo a direção do Bioparque, a ação vai além de uma medida emergencial, consolidando o papel da instituição como centro de pesquisa e conservação. Os estudos desenvolvidos a partir dos animais resgatados devem resultar em publicações científicas e ampliar o conhecimento sobre o fenômeno, contribuindo para políticas mais eficazes de preservação do Pantanal e de suas espécies.
Com informações e foto de Eduardo Coutinho/Bioparque Pantanal
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