A queda de um avião de pequeno porte na região do Pantanal, em Aquidauana (MS), resultou na morte de quatro pessoas nesta terça-feira (23). O acidente ocorreu em uma área de difícil acesso, mobilizando bombeiros e equipes de resgate, que confirmaram não haver sobreviventes entre os ocupantes da aeronave.
Entre as vítimas estão o cineasta brasileiro radicado no exterior, Mauro Ventura, indicado ao Emmy Internacional por série documental sobre a tragédia da Chapecoense, e o arquiteto chinês Kongjian Yu, considerado uma das maiores autoridades mundiais em paisagismo e urbanismo. Também morreram no acidente o documentarista Rubens Crispim Jr. e o piloto, identificado como Marcelo Pereira de Barros, que também era proprietário da aeronave.
Mauro Ventura tinha trajetória consolidada no audiovisual, com produções reconhecidas pela crítica e participação em festivais internacionais. Em 2020, foi indicado ao Emmy Internacional pela série documental “Chapecó: O Jogo por Trás da Tragédia”, trabalho que ganhou destaque por retratar com sensibilidade a dimensão humana da queda do avião da equipe de futebol em 2016.
Rubens Crispim Jr. era diretor de cinema e documentarista, e já trabalhou para canais pagos como Discovery Channel, National Geographic, Arte 01, além da TV Globo e TV Cultura.
Já Kongjian Yu era professor da Universidade de Pequim e fundador do escritório Turenscape, referência global em soluções de urbanismo sustentável. Criador do conceito de “cidades-esponja”, ele defendia que áreas urbanas fossem planejadas para absorver grandes volumes de água, reduzindo enchentes e impactos ambientais. Sua morte teve repercussão no meio da arquitetura e do urbanismo, onde era considerado uma das vozes mais influentes da atualidade.
Segundo relatos, os três passageiros estavam envolvidos na produção de um documentário no Pantanal.
O acidente ocorreu em área de vegetação densa do Pantanal sul-mato-grossense, o que dificultou o acesso imediato das equipes de resgate. As imagens mostram os destroços espalhados em uma clareira, sem sinais de incêndio após a queda. O trabalho de remoção dos corpos e do material foi acompanhado por policiais e peritos, que também coletaram evidências para auxiliar nas investigações.
As apurações revelaram ainda que a aeronave já havia sido apreendida pela polícia em 2021, sob suspeita de adulteração de matrícula. Apesar disso, voltou a operar normalmente e estava em situação regular no momento da tragédia, segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O histórico do avião levanta questionamentos sobre a fiscalização do setor.
As causas do acidente serão investigadas pelo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 6) e pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Enquanto isso, manifestações de pesar se multiplicam nas redes sociais e em entidades ligadas ao cinema e à arquitetura. O impacto da perda de dois nomes de relevância internacional reforça a dimensão da tragédia ocorrida no Pantanal brasileiro.