A abordagem conhecida como “Uma Só Saúde” ganhou destaque em dois eventos paralelos promovidos pelo WWF-Brasil durante a COP15, Convenção sobre Espécies Migratórias, que está sendo realizada essa semana em Campo Grande. O conceito propõe integrar saúde humana, animal e ambiental, defendendo que esses três elementos são interdependentes e devem ser tratados de forma conjunta em políticas públicas e estratégias globais. Segundo a organização, crises sanitárias, mudanças climáticas e perda de biodiversidade demonstram que não é possível tratar esses temas de forma isolada.
Durante a conferência internacional, o WWF destacou que a degradação ambiental e a destruição de habitats aumentam o risco de doenças que podem ser transmitidas entre animais e humanos. Esse cenário reforça a necessidade de políticas integradas que considerem a conservação da natureza como parte das estratégias de saúde pública. A entidade defende que proteger ecossistemas e espécies migratórias também é uma forma de prevenir futuras pandemias e crises sanitárias globais.
A organização também ressaltou que muitas espécies migratórias são fundamentais para o equilíbrio ambiental e para serviços ecossistêmicos essenciais, como polinização, dispersão de sementes e controle de pragas. Esses processos naturais influenciam diretamente a produção de alimentos, a qualidade da água e o equilíbrio climático, impactando diretamente a saúde e a economia humana. Por isso, a conservação dessas espécies não é apenas uma questão ambiental, mas também social e econômica.
Outro ponto debatido foi a necessidade de cooperação internacional, já que as espécies migratórias atravessam fronteiras e dependem de diferentes países para sobreviver ao longo de suas rotas. A COP15 reúne governos, cientistas e organizações da sociedade civil justamente para definir estratégias globais de conservação, financiamento e políticas públicas voltadas à proteção desses animais e de seus habitats. A proteção dessas espécies depende de ações coordenadas entre as nações.
O WWF também defende que a abordagem “Uma Só Saúde” deve ser incorporada em decisões sobre uso do solo, agricultura, infraestrutura e desenvolvimento urbano. Isso porque atividades humanas como desmatamento, poluição e expansão agrícola sem planejamento afetam diretamente a fauna, os ecossistemas e, consequentemente, a saúde das pessoas. A organização argumenta que políticas ambientais e sanitárias precisam caminhar juntas para evitar impactos futuros mais graves.
Além dos debates técnicos, a COP15 também serve como espaço para discutir financiamento internacional, metas de conservação e estratégias de recuperação de espécies ameaçadas. O encontro é considerado uma das principais conferências globais voltadas à proteção de espécies migratórias e à preservação da biodiversidade, reunindo dezenas de países e organizações ambientais. O objetivo é fortalecer compromissos globais e criar ações concretas para preservar rotas migratórias e habitats naturais.
Para o WWF-Brasil, a principal mensagem da conferência é que a saúde do planeta e a saúde das pessoas são inseparáveis. A organização defende que políticas ambientais, econômicas e de saúde pública precisam ser integradas para enfrentar desafios como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e novas doenças. A abordagem “Uma Só Saúde”, segundo a entidade, representa uma forma de planejar o futuro considerando a interdependência entre natureza, animais e seres humanos.
Com informações de Fábio de Castro e Solange Azevedo/WWF-Brasil | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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