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Sexta-feira, 24 de Abril 2026
STM deve julgar perda de patente de militares condenados por trama golpista apenas em 2026

Política

STM deve julgar perda de patente de militares condenados por trama golpista apenas em 2026

Corte analisará individualmente a conduta de Bolsonaro e quatro oficiais-generais; relações pessoais dentro do tribunal devem influenciar o clima dos julgamentos.

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O Superior Tribunal Militar (STM) só deve avaliar, a partir de meados de 2026, a possível perda de patente dos cinco oficiais envolvidos no núcleo central da trama golpista atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O caso, que já provoca tensões internas na corte, colocará ministros para julgar antigos colegas de farda e, em alguns episódios, ex-subordinados diretos dos condenados pelo STF.

O STM será responsável por examinar a conduta de Bolsonaro, capitão reformado do Exército, e de quatro oficiais-generais da reserva: Augusto Heleno, Walter Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e o almirante Almir Garnier. A expectativa é que cada processo seja distribuído separadamente a relatores distintos, já que, diferentemente do julgamento conjunto no Supremo, a Justiça Militar avalia a idoneidade militar de forma individual.

Pelas regras vigentes, oficiais das Forças Armadas condenados a mais de dois anos de prisão por crime comum ou militar precisam passar pelo crivo do STM, que decide se os atos cometidos são compatíveis com o oficialato. O único que ficará fora desse julgamento é o tenente-coronel Mauro Cid, delator do caso, cuja pena foi de dois anos.

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Se a corte decidir pela cassação das patentes, os militares serão expulsos das Forças Armadas e considerados em “morte ficta”, mantendo pensão para as famílias, mas rompendo todo vínculo funcional.

Relações pessoais e ambiente de tensão

A composição do STM adiciona um contexto sensível ao julgamento. A corte é formada por 15 ministros dez militares e cinco civis e vários deles atuaram diretamente com os condenados.

  • Augusto Heleno foi instrutor de dois ministros atuais: Odilson Sampaio Benzi e Marco Antônio de Farias.

  • Quando Paulo Sérgio Nogueira comandava o Exército, outros dois ministros Lourival Carvalho Silva e Guido Amin Naves integravam o Alto Comando.

  • O almirante Garnier conviveu no Almirantado com Leonardo Puntel, Celso Luiz Nazareth e Cláudio Portugal de Viveiros.

Essas conexões, segundo integrantes do tribunal, devem influenciar o clima do plenário. Heleno, condenado a 21 anos, é considerado uma das figuras mais respeitadas do Exército nas últimas décadas, o que pode repercutir no julgamento. Já Braga Netto enfrenta cenário mais sensível, especialmente pelas acusações de ataques a chefes militares contrários ao golpe e pelo suposto financiamento de plano para assassinar o ministro Alexandre de Moraes fatos que ele nega.

Trâmites e atritos recentes

A presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, recebeu nesta quarta-feira (26) a comunicação do trânsito em julgado enviada pelo STF. O próximo passo é o envio das representações da Procuradoria-Geral da Justiça Militar; só depois os casos serão distribuídos.

Com o recesso começando em 19 de dezembro, a tramitação tende a avançar lentamente, e o julgamento deve ficar para 2026. Apesar da expectativa de que não haja pedidos de vista, ministros admitem que os processos podem seguir ritmos diferentes, tanto pela distribuição a relatores distintos quanto pelo ambiente interno, marcado por atritos recentes.

Em outubro, um desentendimento público reacendeu tensões na corte: o ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira criticou a presidente do STM após ela pedir desculpas às vítimas da ditadura, afirmando que ela deveria “estudar mais” a história da instituição. Elizabeth rebateu, classificando o comentário como misógino.

A projeção é de que o julgamento das patentes ocorra apenas após esse clima interno se estabilizar o que deve ocorrer somente ao longo de 2026.

Fonte: Beatriz Schaedler, com Folha | Foto: Marcos Corrêa

Redação Raiz

Publicado por:

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Beatriz Schaedler DRT 2447/MS - Jornalista Raiz

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