A continuidade dos atendimentos da Santa Casa de Campo Grande pelo SUS está ameaçada. Segundo um alerta emitido nesta quinta-feira (9) pela instituição, o hospital corre risco de colapso, caso uma solução emergencial não seja apresentada pelos governos estadual e municipal. Segundo a administração da instituição de saúde, os contratos firmados com o sistema público de saúde vêm sendo simplesmente prorrogados desde agosto de 2023, sem reajuste no valor-base, o que causou grave desequilíbrio financeiro.
A instituição solicita reuniões urgentes com a prefeita Adriane Lopes e o governador Eduardo Riedel, visando debater os contratos com o SUS, a liberação de recursos judiciais já reconhecidos e medidas estruturantes para sanar o passivo acumulado ao longo dos anos. Em nota pública, a direção reforça que, além da renovação contratual, é urgente pensar mecanismos duradouros para garantir que o hospital, referência para atendimentos de alta complexidade no estado, continue funcionando plenamente.
Dados levantados pela instituição apontam que, com os contratos desatualizados, os custos internos, tais como insumos, medicamentos, manutenção e folha de pagamento foram crescendo sem acompanhamento do valor pago pelo SUS. Além disso, a Santa Casa afirma que ainda não recebeu repasses de ações judiciais ganhas contra antigos gestores da saúde. Estes recursos já estão juridicamente reconhecidos, mas não foram efetivamente repassados à administração, o que agrava ainda mais o quadro financeiro.
A situação crítica é agravada pela sobrecarga do sistema público de saúde em Campo Grande. Nas UPAs da cidade, pacientes chegam a aguardar três dias por uma vaga hospitalar, configurando um cenário de pré-colapso. Em março deste ano, a própria Santa Casa havia solicitado à administração municipal que evitasse receber novos pacientes, citando superlotação extrema no pronto-socorro, onde 13 leitos foram ocupados por cerca de 80 pessoas simultaneamente. Reportagens também já relataram casos em que o pronto-socorro teria suspenso temporariamente os atendimentos devido à indisponibilidade operacional.
A Santa Casa aguarda com urgência o agendamento das reuniões com os gestores municipais e estaduais, esperançosa de que as autoridades respondam com medidas imediatas para evitar o colapso dos serviços públicos de saúde. Até o momento, não houve pronunciamento definitivo da prefeitura ou do governo do Estado confirmando propostas concretas para sanar o impasse.
Fonte: Redação Raiz | Imagem: Divulgação/Santa Casa