A greve dos motoristas do transporte coletivo de Campo Grande foi oficialmente encerrada nesta quinta-feira (18) após a formalização de um convênio no valor de R$ 3,3 milhões entre a Prefeitura da Capital e o Governo do Estado. O repasse dos recursos, um adiantamento de valor que inicialmente seria liberado somente em janeiro de 2026, possibilitou o pagamento dos salários atrasados dos trabalhadores, principal reivindicação da categoria, permitindo a retomada integral da circulação dos ônibus após dias de paralisação que afetaram milhares de usuários.
Segundo informações divulgadas pelo poder público, o acordo financeiro teve caráter emergencial e buscou restabelecer a normalidade do serviço, considerado essencial. Com a liberação dos recursos, o sindicato dos motoristas confirmou o fim do movimento paredista, ressaltando que a decisão levou em conta a garantia efetiva do pagamento e o compromisso firmado pelas autoridades.
Apesar do encerramento da greve, a crise envolvendo o Consórcio Guaicurus segue em pauta. Permanece válida a decisão judicial que determinou prazo de 30 dias para que a Prefeitura, a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) e a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) indiquem um interventor para assumir temporariamente a gestão do consórcio. A medida foi motivada por indícios de irregularidades administrativas e financeiras apontadas em ações judiciais recentes.
Paralelamente, o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo, conduzida pela Câmara Municipal, deve ganhar novo protagonismo. O documento reúne apontamentos sobre supostas falhas na gestão, desequilíbrio econômico-financeiro do contrato e deficiências na prestação do serviço, e deverá subsidiar novas apurações por órgãos de controle e pelo Ministério Público.
Autoridades municipais destacam que o fim da greve não encerra o debate sobre o modelo de concessão do transporte coletivo em Campo Grande. A expectativa é de que a possível intervenção, somada aos desdobramentos da CPI, resulte em mudanças estruturais na gestão do sistema, com foco em maior transparência, sustentabilidade financeira e melhoria do serviço oferecido à população.
Fonte: Redação Raiz | Foto: Diário dos Transportes