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Segunda-feira, 20 de Abril 2026
Estudo global revela ligação direta entre consumo de álcool e risco de suicídio

Saúde

Estudo global revela ligação direta entre consumo de álcool e risco de suicídio

Especialistas defendem a implementação de políticas públicas para combater o consumo excessivo de álcool

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Uma análise conduzida por pesquisadores canadenses, abrangendo dados de 101 países e baseada em 13 estudos anteriores, revelou uma preocupante associação entre o consumo de álcool e o aumento das taxas de suicídio em nível global. A pesquisa, publicada em uma revista da Associação Médica Americana, aponta que cada litro adicional de álcool consumido por pessoa está relacionado a um crescimento de 3,59% nas mortes por suicídio a cada 100 mil habitantes.

O estudo foi divulgado durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio, e reforça a necessidade de acolhimento e políticas públicas focadas na redução do consumo de bebidas alcoólicas. Para os pesquisadores, os dados devem servir como base para estratégias tanto individuais quanto coletivas de prevenção.

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Especialistas brasileiros confirmam os efeitos nocivos do álcool sobre a saúde mental. A psiquiatra Alessandra Diehl, da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas, conduziu um estudo com pessoas internadas após tentativa de suicídio e identificou que 21% delas haviam ingerido álcool antes da autoagressão. Ela destaca que, mesmo entre pessoas não dependentes, o consumo de álcool pode atuar como um gatilho para comportamentos suicidas.

A diretora da Associação Brasileira de Psiquiatria, Miriam Gorender, ressalta que o álcool é um depressor do sistema nervoso central. O uso, mesmo que agudo, pode agravar quadros de depressão pré-existentes ou funcionar como gatilho em pessoas vulneráveis. Ela alerta que muitas pessoas são enganadas pelo efeito estimulante inicial do álcool e demoram a perceber o efeito rebote e depressivo subsequente.

No Brasil, dados de 2019 indicam que o consumo médio de álcool per capita foi de 7,7 litros, acima da média mundial de 5,5 litros, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, mais de 20% dos adultos do país faziam uso abusivo da substância, conforme dados do Ministério da Saúde de 2023. A meta nacional é reduzir essa proporção para 17% até 2030.

Especialistas defendem a implementação de políticas públicas que incluam aumento de taxação, restrição à publicidade e campanhas educativas para combater o consumo excessivo de álcool. A psicóloga Maria Carolina Roseiro, membro do Conselho Federal de Psicologia, propõe a estratégia de redução de danos, que visa promover a qualidade de vida e a saúde mental, considerando o contexto social e cultural da pessoa.

Para aqueles que enfrentam dificuldades relacionadas ao consumo de álcool ou pensamentos suicidas, é fundamental buscar apoio profissional. Serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS) estão disponíveis para oferecer suporte e orientação.

Rafael Belo

Publicado por:

Rafael Belo

Jornalista Raiz

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