A senadora Tereza Cristina (PP-MS) colocou o pé no acelerador diplomático e quer que o Senado Federal seja o palco da análise minuciosa sobre o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Como ex-ministra da Agricultura e voz influente do setor produtivo, a parlamentar defende que o Brasil não pode assinar um "cheque em branco" que comprometa a competitividade do produtor nacional.
O debate ganha fôlego a partir desta semana na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). O foco da senadora é equilibrar o entusiasmo pela abertura de mercados com o receio de que cláusulas ambientais rigorosas — muitas vezes chamadas de "protecionismo verde" — sirvam como barreira não tarifária aos produtos brasileiros, especialmente a carne e a soja de Mato Grosso do Sul.
O "X" da Questão: Sustentabilidade vs. Soberania
Tereza Cristina tem reforçado que o setor produtivo brasileiro é um dos mais sustentáveis do mundo, mas teme que o "anexo ambiental" proposto pelos europeus imponha sanções unilaterais baseadas em legislações estrangeiras que ignoram o Código Florestal Brasileiro.
Os principais pontos de atenção levantados pela senadora incluem:
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Reciprocidade Ambiental: Garantir que as exigências feitas ao Brasil sejam proporcionais ao que a Europa pratica internamente.
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Compras Públicas: O impacto da abertura do mercado de compras governamentais para empresas europeias, o que pode afetar a indústria nacional.
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Salvaguardas Agrícolas: Proteção contra quedas bruscas de preços ou invasão de produtos subsidiados que possam prejudicar o mercado interno.
Protagonismo de Mato Grosso do Sul
Para o nosso estado, o acordo é uma faca de dois gumes. Por um lado, a eliminação de tarifas para produtos como o açúcar e a cota de carne bovina pode gerar um boom nas exportações. Por outro, o rigor das inspeções europeias exige que o Estado acelere processos de certificação sustentável.
"O acordo é estratégico e esperado há mais de 20 anos, mas precisamos ter clareza de que as vantagens comerciais não serão anuladas por exigências que o próprio produtor europeu não consegue cumprir", afirmou a senadora em reuniões prévias com lideranças da Famasul e da CNA.
As audiências na CRE devem reunir o Ministério das Relações Exteriores, representantes do Ministério da Agricultura e embaixadores. A intenção de Tereza Cristina é que o Senado produza um relatório técnico que sirva de base para a posição oficial do governo brasileiro nas rodadas finais de negociação.
Fonte: Redação Raiz | Imagem: Reprodução
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