Um dos pontos de encontro mais icônicos de Campo Grande está no centro de uma proposta que busca equilibrar o ordenamento urbano com a sobrevivência econômica de dezenas de famílias. O vereador Ronilço Guerreiro apresentou um Projeto de Lei para transformar os Altos da Avenida Afonso Pena no corredor "Nossa Orla", um espaço oficialmente reconhecido para cultura, lazer e gastronomia.
A iniciativa ganha urgência após notificações da Prefeitura para que comerciantes deixassem o local em curto prazo. Para Guerreiro, a remoção abrupta ignora a função social desses trabalhadores.
"Como não temos praia, os Altos da Afonso Pena são a nossa orla. É o ponto de encontro da nossa gente e precisa de organização, não de exclusão", argumenta o parlamentar.
O projeto não propõe uma liberação desordenada, mas sim um marco regulatório. Entre os principais pontos da proposta estão:
Prazo de 120 dias para regulamentação: esse tempo será concedido para que os empreendedores se regularizem perante o município, após aprovação na casa de leis e sancionado pela prefeitura.
Normas Sanitárias e Ambientais: Exigência de gestão rigorosa de resíduos e uso de materiais menos poluentes, respeitando a proximidade com o Parque das Nações Indígenas e o Bioparque Pantanal.
Ordenamento Urbano: Definição de critérios para o funcionamento de estabelecimentos móveis, garantindo segurança e fluidez no trânsito na região.
De acordo com o projeto, além de proteger empregos, a criação do corredor visa potencializar o turismo na Capital. Segundo Ronilço, ao oficializar a vocação gastronômica da área, Campo Grande ganha um ambiente mais atrativo e seguro para moradores e visitantes.
"A concessão desse prazo de transição é uma medida de justiça e sensibilidade social. Permite que a Prefeitura organize o espaço sem gerar desemprego", reforça.
O projeto agora segue para tramitação nas comissões da Câmara Municipal. Se aprovado, caberá ao Executivo regulamentar o uso do espaço, transformando a "praia dos campo-grandenses" em um modelo de desenvolvimento sustentável e economia criativa.
Por Kelson Carvalho | Imagem: Reprodução
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