Um incêndio de grandes proporções atinge desde o último domingo (28) a Serra do Amolar, em uma das regiões mais remotas e sensíveis do Pantanal sul-mato-grossense. Segundo o Instituto Homem Pantaneiro (IHP), responsável pela brigada Alto Pantanal, o fogo foi identificado pelo Sistema Pantera às 11h45, mas até agora não está sob controle. A área afetada está localizada próxima à Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Acurizal e beira a fronteira com a Bolívia.
O acesso ao local é extremamente dificultoso. Fontes apontam que o trajeto de barco pelo rio Paraguai, saindo de Corumbá, pode levar entre 5 a 8 horas para atingir o ponto mais próximo da Serra do Amolar. Além disso, parte do incêndio se situa em morrarias – elevações rochosas e vegetadas – o que complica o deslocamento de equipes e equipamentos até o foco das chamas.
Na altura do morro, há relatos de chamas que se estendem por centenas de metros em inclinações acentuadas. A RPPN Acurizal, que fica nas imediações, é considerada área prioritária para conservação, o que eleva o grau de urgência no controle do fogo. Brigadistas do IHP informam que trabalham com prevenção para impedir que o fogo avance para a reserva e cruzar fronteiras.
As imagens abaixo são do IHP
As condições climáticas reforçam a dificuldade da missão. No momento da detecção, a temperatura era de 36 °C, a umidade relativa do ar estava em 29 %, e ventos de cerca de 9 km/h sopravam na região — fatores que favorecem a propagação do fogo. O risco de incêndio era estimado em 94 %.
As causas do incêndio ainda são investigadas, mas há indícios de que um raio pode ter provocado a ignição da vegetação no topo da morraria. Até o momento, equipes mantêm atuação com reforços previstos do Prevfogo/Ibama e Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul.
Especialistas alertam para os riscos ecológicos: além da perda de flora e fauna locais, a fumaça pode atravessar áreas protegidas e cruzar fronteiras, dificultando o combate internacional. A persistência do fogo em morrarias e matas densas, aliada ao difícil acesso, torna a operação de controle um dos desafios mais complexos já enfrentados no Pantanal meridional.