Vivemos em uma época que exalta o indivíduo, o mérito pessoal e a ideia de que o sucesso é fruto exclusivo do esforço próprio. Frases como “eu me fiz sozinho” ou “cheguei até aqui por conta própria” são repetidas com orgulho. Mas basta um pouco de reflexão honesta para perceber que essa narrativa não se sustenta. Ninguém se faz sozinho, e reconhecer isso não diminui ninguém, ao contrário, revela maturidade, humildade e consciência.
A vida é como uma grande orquestra e cada pessoa é apenas um instrumento dentro de uma sinfonia muito maior. Nada acontece de forma isolada, tudo está conectado, em movimento, em interação constante. Até mesmo o fato mais básico da nossa existência comprova isso: para que qualquer um de nós estivesse aqui hoje, foi necessário o encontro de, no mínimo, duas pessoas. Houve uma união, um movimento, uma concepção ou cooperação e para quem crê, o consentimento de Deus.
Antes mesmo do nascimento, já enfrentamos nossa primeira batalha: a disputa invisível entre milhões de espermatozóides. Um encontro específico tornou a vida possível. A partir dali, nenhuma etapa foi solitária. O primeiro abrigo, o primeiro cuidado, o primeiro alimento vieram de alguém. Pais, avós ou responsáveis estiveram presentes nos primeiros passos, nas quedas, nos aprendizados iniciais. Mesmo com erros e limitações, porque ninguém educa com perfeição, houve entrega, tentativa e amor.
Ao longo do caminho, outras pessoas foram se somando à nossa história. Professores que ensinaram mais do que matérias, colegas que desafiaram ou acolheram, amigos que marcaram fases inteiras da vida, líderes, mentores, pastores, vizinhos. Às vezes, uma única frase dita no momento certo foi suficiente para mudar uma rota inteira. Muitas sementes foram plantadas em conversas aparentemente simples, mas germinaram com o tempo.
Livros que lemos, ideias que ouvimos no rádio, entrevistas assistidas, conteúdos digitais compartilhados por alguém também fizeram parte desse processo. Até mesmo pessoas que passaram rapidamente por nossas vidas deixaram marcas. Algumas positivas, outras dolorosas. E aqui está um ponto delicado, mas essencial: até quem nos feriu contribuiu para quem nos tornamos. Traições, decepções e perdas ensinam lições duras, porém profundas. Crescer não é feito apenas de incentivos e aplausos; muitas vezes nasce da dor, da frustração e da necessidade de amadurecer.
Grande parte das transformações mais significativas acontece depois de quedas profundas. E quase sempre essas quedas envolvem pessoas. Com o tempo, compreendemos que certas experiências, por mais difíceis que tenham sido, eram necessárias. Guardar mágoas, ressentimentos e histórias mal resolvidas se torna um peso incompatível com quem deseja avançar. O perdão não muda o passado, mas liberta o presente, não absolve atitudes, mas solta correntes.
Ao ouvir histórias de pessoas bem-sucedidas, essa verdade se repete. Sempre há alguém por trás de cada trajetória: um mentor, um amigo, um incentivo inesperado ou até um adversário que despertou forças adormecidas. O sucesso pode até ter assinatura individual, mas nunca tem autoria solitária.
E, acima de tudo, há a dimensão espiritual, fé, o diálogo íntimo com Deus, sincero e silencioso, orienta caminhos e promove encontros. Muitas vezes, Ele responde orações não com explicações, mas com pessoas. Pessoas certas, no tempo certo. Anjos de carne e osso, que cumprem propósitos sem sequer perceber.
Por isso, se hoje alguém se sente só, perdido ou sobrecarregado, vale lembrar: a história ainda está sendo escrita. Há movimentos acontecendo, encontros sendo preparados, aprendizados em curso. No fim das contas, cada vida é uma obra coletiva. Porque a grande verdade é simples e profunda: ninguém se faz sozinho.
Sobre o Colunista:
Washington Sanches, mentor, empresário, palestrante, escritor, idealizador da Rede Empresarial Amigos e Negócios.
Contatos: (67) 98472-5112 - Instagram: sancheswasnhington
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